A importância de abordar padrões de comportamento sexual na terapia.
Você já engajou numa relação como se fosse uma tarefa a ser cumprida? Sentindo que estava ali não por vontade própria, mas porque precisava?
O nome disso é “sexo por obrigação”, e acontece muito em casamentos e normalmente por sentimentos de pressão, receio de decepcionar a parceria ou uma crença de que isso é simplesmente parte dos deveres do relacionamento.
O sexo por obrigação pode ser uma realidade dolorosa e desgastante, especialmente para mulheres. Em situações em que a autoestima já está baixa ou há problemas com a autoimagem, a prática do sexo por obrigação pode minar ainda mais o prazer e a satisfação na intimidade. É essencial que essas questões sejam abordadas de forma aberta e honesta com a parceria, discutindo limites e vontades para evitar que a função sexual seja comprometida.
Na terapia sexual, a abordagem desses padrões de comportamento é fundamental. A frequência e os fatores que levam ao sexo por obrigação precisam ser compreendidos para que intervenções eficazes possam ser implementadas. Melhorar a saúde sexual, a comunicação e o bem-estar geral da pessoa passando por isso é o objetivo principal deste processo terapêutico.
Uma pesquisa recente sobre sexo por obrigação, publicada no The Journal of Sexual Medicine em dezembro de 2024, destaca a relevância de abordar essas questões tanto nas relações pessoais quanto nos contextos clínicos. A pesquisa envolveu mulheres cisgênero, sexualmente ativas, com idades entre 18 e 68 anos dos EUA e Canadá. O estudo revelou que quase 45% das participantes relataram pelo menos uma experiência sexual não consensual, abrangendo toques, sexo oral ou penetração.
As motivações sexuais das mulheres foram avaliadas em quatro áreas principais: prazer, intimidade, autoafirmação e senso de dever. Os resultados mostraram que o sexo por obrigação é mais comum entre mulheres com histórico de experiências sexuais não consensuais. Essas mulheres também relataram menor satisfação sexual, menor lubrificação vaginal e função orgástica afetada em comparação com aquelas sem histórico de sexo por obrigação.
Os pesquisadores observaram que mulheres com melhor função sexual, como maior excitação, lubrificação e melhores orgasmos, e menos problemas como dor sexual, tendem a ter relações sexuais motivadas por prazer ou intimidade. Por outro lado, aquelas com menor satisfação e maior dor durante e relação eram mais inclinadas a relatar o sexo por obrigação como motivo.
É muito importante conversar com a parceria sobre seus limites, vontades e como o sexo por obrigação está comprometendo sua função sexual.
Também é essencial conversar sobre esse padrão de comportamento na terapia, inclusive sobre a frequência com que isso ocorre.
Ao entender os fatores por trás do sexo por obrigação, a terapia sexual pode trabalhar para melhorar a saúde sexual, a comunicação e o bem-estar geral do casal, proporcionando uma experiência sexual mais satisfatória e saudável.
Contraponto: sexo com hora marcada
Em contraste com o sexo por obrigação, o sexo com hora marcada pode ser uma ferramenta poderosa para a manutenção de uma boa relação. Diferente do sexo forçado ou não desejado, o sexo com hora marcada envolve um acordo mútuo entre os parceiros, onde ambos escolhem um momento específico para a intimidade. Esta prática pode reduzir a ansiedade e aumentar o desejo.
Marcar um encontro íntimo pode criar um espaço seguro e confortável para a exploração mútua dos desejos e necessidades, permitindo uma experiência sexual mais consciente e conectada. Ao contrário do sexo por obrigação, que pode minar a autoestima e a satisfação, o sexo com hora marcada pode fortalecer a conexão emocional e física do casal, levando a uma relação mais saudável e feliz.
Em resumo, enquanto o sexo por obrigação deve ser discutido e abordado para garantir o bem-estar, o sexo com hora marcada pode ser uma estratégia positiva para manter a chama da intimidade acesa e fortalecer os laços conjugais.
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