
Entenda como identificar e tratar essa condição que afeta a saúde íntima feminina.
A saúde íntima feminina ainda é cercada de tabus, e muitas mulheres passam anos convivendo com dores sem conseguir um diagnóstico preciso. Uma dessas condições pouco conhecidas é a vulvodínia, uma dor crônica na região da vulva que não está associada a infecções, lesões visíveis ou outra questão de saúde, mas que pode impactar de forma significativa a qualidade de vida.
Vem comigo neste artigo entender o que é vulvodínia, principais sintomas, possíveis causas e quais tratamentos podem trazer alívio.
O que é vulvodínia?
A vulvodínia é definida como uma dor crônica na região da vulva, que pode durar três meses ou mais, sem causa aparente. Essa dor pode ser contínua ou surgir em situações específicas, como durante a relação sexual, ao inserir absorvente interno ou até mesmo ao usar roupas apertadas.
Segundo publicações da International Society for Sexual Medicine (ISSM), estima-se que 10% a 28% das mulheres possam vivenciar algum episódio de dor vulvar persistente ao longo da vida, mas o diagnóstico ainda é pouco feito ou feito tardiamente, seja pela falta de informação, pela vergonha de relatar os sintomas levando a alta subnotificação, pela falta de preparo de profissionais de saúde para identificar o problema, confundindo com outras condições ginecológicas, ou até por uma histórica falta de pesquisas sobre a saúde da mulher.
Sintomas da vulvodínia
Segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, os sintomas costumam aparecer entre os 18 e 25 anos. Os mais comuns incluem:
- Dor em queimação, ardência ou desconforto constante na região da vulva.
- Sensibilidade ao toque, mesmo leve.
- Dor durante a relação sexual (dispareunia).
- Sensação de fisgada ou pressão na região íntima.
- Incômodo ao usar roupas justas, bicicleta, absorventes internos ou por ficar sentada muito tempo.
A intensidade da dor varia de mulher para mulher. Algumas relatam incômodo leve, enquanto outras sofrem com dores que afetam o dia a dia, atividades sociais, relacionamentos, autoestima, saúde mental e vida sexual. Às vezes, até o uso da calcinha incomoda.
Possíveis causas
As causas da vulvodínia ainda não são totalmente compreendidas ou identificáveis, mas ela é considerada uma desordem multifatorial.
Estudos apontam alguns fatores que podem estar relacionados:
- Alterações nos nervos da vulva e dor neuropática, que podem aumentar a sensibilidade à dor, são fortemente relacionadas à origem da vulvodínia.
- Histórico de infecções vaginais de repetição, como candidíases crônicas.
- Desequilíbrio muscular do assoalho pélvico.
- Alterações hormonais.
- Fatores emocionais, como ansiedade, depressão, estresse e abusos na infância.
- Estudos também sugerem que em alguns casos o cérebro pode ser o centro da disfunção da dor, como acontece em outras condições de dor crônica. Ou seja, o problema pode não estar na região pélvica.
É importante destacar que a vulvodínia não é causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), não é contagiosa e não está ligada à higiene íntima.
Diagnóstico
Não existe um exame específico para diagnosticar a vulvodínia. O ginecologista ou especialista em dor pélvica realiza uma avaliação minuciosa e descarta outras condições – muitas vezes, o diagnóstico é de exclusão, feito após eliminar outras possíveis causas.
Tratamentos para vulvodínia
Há caminhos de cuidado!
O tratamento da vulvodínia é individualizado e multidisciplinar, envolvendo ginecologistas, dermatologistas, neurologistas, fisioterapeutas e psicólogos. Pode envolver diferentes abordagens: medicamentos, fisioterapia pélvica, mudanças no estilo de vida e, também, terapia sexual – uma vez que a dor crônica pode estar associada a fatores emocionais. Aliás, segundo diversos estudos, como mencionam artigos da Harvard Medical School e da ISSM, os tratamentos psicológicos podem incluir a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda as pessoas no enfrentamento e ressignificação da dor, no fortalecimento das relações interpessoais, na melhora da autoestima e função sexual – e da qualidade da vida íntima. Aliás, o envolvimento da parceria no tratamento pode fazer parte do tratamento.
Em casos específicos, pode ser indicado tratamento com laser, infiltração local ou até cirurgia, mas isso é considerado apenas quando as outras opções não trazem resultado.
Quando procurar ajuda médica?
Se você sente dor recorrente na região íntima sem causa aparente, por pelo menos três meses, é recomendável procurar um ginecologista ou um especialista em dor pélvica. A vulvodínia pode ser tratada e controlada, devolvendo qualidade de vida e prazer sexual.
Vale lembrar!
A vulvodínia ainda é uma condição pouco falada, especialmente pela alta subnotificação, mas que merece atenção.
Mulheres que convivem com essa condição relatam níveis mais altos de ansiedade, depressão e dificuldades de relacionamento.
Reconhecer os sintomas e buscar ajuda especializada é o primeiro passo para quebrar o ciclo da dor e recuperar o bem-estar.
Se você ou alguém que conhece convive com dores íntimas sem explicação, saiba que não é frescura e nem exagero: pode ser vulvodínia, e existem tratamentos que podem melhorar muito a sua vida.
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