
Entendendo o fenômeno dos “relacionamentos que nunca saem do quase”.
Você já conheceu alguém que parece viver a “síndrome do nunca se comprometer”? Aquele tipo que adora ficar, demonstra interesse, cria expectativas, mas na hora de assumir algo sério… desaparece?
Pois é. Esse comportamento, cada vez mais comum, ganhou um nome: Síndrome de Simon.
O termo foi criado pelo psiquiatra espanhol Enrique Rojas, e se refere ao acrônimo que define o perfil de muitos homens modernos:
S – Solteiro crônico
I – Imaturo
M – Materialista
O – Obcecado pelo trabalho
N – Narcisista
Embora não seja um diagnóstico clínico, o conceito virou uma metáfora poderosa sobre a dificuldade emocional que muitos homens têm de se envolver profundamente, e o impacto que isso causa em quem está do outro lado da relação.
Por que é tão difícil se comprometer?
A relutância em se comprometer vai muito além do “medo de casar”.
Muitos homens associam o compromisso à perda de liberdade, como se envolver com alguém significasse abrir mão de si.
Outros trazem experiências passadas sofridas, traições ou rejeições, que os fazem evitar se envolver de novo.
E há também o medo de não corresponder às expectativas, de não ser “bom o bastante”, de falhar, de se frustrar ou frustrar a outra pessoa.
Esses sentimentos criam barreiras invisíveis, mas profundas, que afastam qualquer tipo de vínculo mais forte.
O peso da educação emocional
“Homem não chora.”
“Não se apega.”
“Não demonstra fraqueza.”
Frases como essas ainda moldam a forma como muitos homens aprendem a lidar com as próprias emoções.
Desde cedo, são ensinados a reprimir sentimentos e parecer vulneráveis, o que mais tarde pode gerar dificuldade de criar vínculos afetivos reais.
Talvez a pergunta não seja “por que ele não se compromete?”, mas sim: “do que ele está tentando se proteger?”
A cultura da performance e o medo de se envolver
Vivemos num mundo que aplaude quem “vence sozinho”, corre atrás do sucesso sem parar, e valoriza a produtividade e a liberdade, muitas vezes acima de tudo.
Nesse contexto, o relacionamento é visto como algo que “atrapalha”, como se fosse obstáculo ao desempenho profissional ou à independência, um “peso” em vez de uma escolha de afeto.
E o resultado pode ser solidão disfarçada de autonomia.
O impacto da Síndrome de Simon nos relacionamentos
Quando alguém vive a Síndrome de Simon, o resultado costuma ser um ciclo de esperança e decepção para quem se envolve: expectativas não correspondidas, insegurança, ansiedade e até sintomas depressivos podem aparecer.
Essa distância emocional não afeta só o vínculo afetivo, mas também a vida sexual. A falta de clareza e de comunicação, não raro, transforma o prazer em frustração.
Mas é importante lembrar: quando ambos sabem que é uma relação casual, tudo bem. O essencial é dialogar abertamente sobre expectativas, para que ninguém saia machucado. Comunicação sincera é o melhor antídoto para frustrações.
E por que “Simon”?
Segundo Enrique Rojas, homens com esse perfil tendem a:
- fugir de vínculos estáveis (solteiros crônicos);
- travar diante de responsabilidades emocionais (imaturos);
- valorizar status e sucesso acima de sentimentos (materialistas);
- justificar ausência de tempo por excesso de trabalho (obcecados);
- e enxergar o mundo sob a própria ótica (narcisistas).
Por trás dessa resistência ao compromisso, quase sempre existe uma história que ainda não foi elaborada – um medo, uma perda, uma crença que precisa ser revisitada.
A terapia pode ajudar?
A terapia é um espaço seguro para compreender esses padrões, questionar crenças e medos e abrir espaço para vínculos mais saudáveis.
Ela ajuda a transformar o medo de perder liberdade em desejo de compartilhar.
E mostra que vulnerabilidade não é fraqueza – é conexão.
Fugir pode parecer seguro. Mas se permitir viver o amor pode ser libertador.
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