sexting com IA

Sim, adolescentes estão praticando sexting com chatbots.

Uma nova fronteira da sexualidade digital se abre – e ela não está no futuro, mas no presente. Uma reportagem do Estadão/AFP revelou que adolescentes já estão utilizando chatbots de inteligência artificial para conversas românticas e sexuais, incluindo interações gráficas, sensuais e até violentas.

A prática, que se desenrola em plataformas como Replika e Character.ai, mostra como a IA está se tornando um espaço íntimo para adolescentes explorarem desejo, identidade e fantasia. Só que há riscos – e precisamos falar sobre eles com menos medo e mais entendimento dos fatos.

Como funciona o sexting com inteligência artificial?

Plataformas que utilizam IA generativa oferecem a possibilidade de criar “companheiros virtuais” com os quais os usuários podem conversar sobre qualquer coisa, inclusive sexo.

Apesar de existirem filtros para conteúdo sensível e controle de idade, muitos adolescentes driblam essas barreiras com facilidade. Fóruns como Reddit revelam estratégias para burlar os bloqueios, expondo um cenário de acesso livre a conteúdos potencialmente prejudiciais.

Quais os riscos dessa prática para os adolescentes?

  1. Reflexos distorcidos sobre sexo e consentimento

A programação de um chatbot nem sempre compreende nuances fundamentais, como o consentimento, o respeito aos limites e a comunicação afetiva. Isso pode reforçar estereótipos problemáticos ou validar comportamentos que seriam inaceitáveis na vida real.

  1. Falta de desenvolvimento de habilidades sociais

Ao escolher interagir com a IA ao invés de pessoas reais, adolescentes podem perder oportunidades de desenvolver habilidades interpessoais essenciais, como lidar com rejeição, dialogar sobre desejos ou negociar limites com um par real.

  1. Isolamento e silêncio

O maior risco talvez seja este: que os adolescentes passem a ver na IA o único espaço seguro para falar sobre sexualidade, o que denuncia uma lacuna grave no diálogo com pais, escolas e profissionais de saúde.

O que adultos podem (e devem) fazer?

Promover conversas reais

Não espere que seu filho ou paciente traga o assunto. Crie espaços seguros para o diálogo, com escuta ativa e linguagem acessível à idade.

Falar sobre os riscos do ambiente digital

Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de educar para o uso consciente. Explique a diferença entre fantasia e realidade, entre desejo e invasão, entre curiosidade e compulsão.

Seja a pessoa de confiança, não o juiz

Adolescentes vão explorar. Isso é saudável. Mas precisam de adultos que acolham, orientem sem julgar, e que saibam adaptar a educação aos tempos atuais.

Conclusão: a IA não pode substituir a conexão humana

Chatbots podem ser ferramentas de exploração da descoberta da identidade, orientação e desejos. Mas jamais devem ser o único lugar onde adolescentes se sintam à vontade para falar de sexo. Aliás, se eles se sentem tão tímidos a ponto de não conseguirem fazer certas perguntas a pais ou professores, é hora de rever como está sua relação com eles.

A família tem que ser esse espaço de segurança. A escola também tem papel fundamental nesse processo. E a psicoterapia pode ter grande utilidade para pais que querem aprender a exercitar melhor esse diálogo dentro de casa.

Lembre-se que quando falta conversa, sobram perguntas. E quando esses jovens não se sentem acolhidos, podem recorrer à tecnologia, só que ela nunca vai suprir uma conversa aberta e sincera com uma pessoa de verdade, que sabe falar sobre sexo de acordo com a idade desse adolescente.

Para refletir

Você educa seus filhos como antigamente, como se não existissem essas novas tecnologias, ou tem adaptado a educação aos novos tempos?

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