
Sim, adolescentes estão praticando sexting com chatbots.
Uma nova fronteira da sexualidade digital se abre – e ela não está no futuro, mas no presente. Uma reportagem do Estadão/AFP revelou que adolescentes já estão utilizando chatbots de inteligência artificial para conversas românticas e sexuais, incluindo interações gráficas, sensuais e até violentas.
A prática, que se desenrola em plataformas como Replika e Character.ai, mostra como a IA está se tornando um espaço íntimo para adolescentes explorarem desejo, identidade e fantasia. Só que há riscos – e precisamos falar sobre eles com menos medo e mais entendimento dos fatos.
Como funciona o sexting com inteligência artificial?
Plataformas que utilizam IA generativa oferecem a possibilidade de criar “companheiros virtuais” com os quais os usuários podem conversar sobre qualquer coisa, inclusive sexo.
Apesar de existirem filtros para conteúdo sensível e controle de idade, muitos adolescentes driblam essas barreiras com facilidade. Fóruns como Reddit revelam estratégias para burlar os bloqueios, expondo um cenário de acesso livre a conteúdos potencialmente prejudiciais.
Quais os riscos dessa prática para os adolescentes?
- Reflexos distorcidos sobre sexo e consentimento
A programação de um chatbot nem sempre compreende nuances fundamentais, como o consentimento, o respeito aos limites e a comunicação afetiva. Isso pode reforçar estereótipos problemáticos ou validar comportamentos que seriam inaceitáveis na vida real.
- Falta de desenvolvimento de habilidades sociais
Ao escolher interagir com a IA ao invés de pessoas reais, adolescentes podem perder oportunidades de desenvolver habilidades interpessoais essenciais, como lidar com rejeição, dialogar sobre desejos ou negociar limites com um par real.
- Isolamento e silêncio
O maior risco talvez seja este: que os adolescentes passem a ver na IA o único espaço seguro para falar sobre sexualidade, o que denuncia uma lacuna grave no diálogo com pais, escolas e profissionais de saúde.
O que adultos podem (e devem) fazer?
Promover conversas reais
Não espere que seu filho ou paciente traga o assunto. Crie espaços seguros para o diálogo, com escuta ativa e linguagem acessível à idade.
Falar sobre os riscos do ambiente digital
Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de educar para o uso consciente. Explique a diferença entre fantasia e realidade, entre desejo e invasão, entre curiosidade e compulsão.
Seja a pessoa de confiança, não o juiz
Adolescentes vão explorar. Isso é saudável. Mas precisam de adultos que acolham, orientem sem julgar, e que saibam adaptar a educação aos tempos atuais.
Conclusão: a IA não pode substituir a conexão humana
Chatbots podem ser ferramentas de exploração da descoberta da identidade, orientação e desejos. Mas jamais devem ser o único lugar onde adolescentes se sintam à vontade para falar de sexo. Aliás, se eles se sentem tão tímidos a ponto de não conseguirem fazer certas perguntas a pais ou professores, é hora de rever como está sua relação com eles.
A família tem que ser esse espaço de segurança. A escola também tem papel fundamental nesse processo. E a psicoterapia pode ter grande utilidade para pais que querem aprender a exercitar melhor esse diálogo dentro de casa.
Lembre-se que quando falta conversa, sobram perguntas. E quando esses jovens não se sentem acolhidos, podem recorrer à tecnologia, só que ela nunca vai suprir uma conversa aberta e sincera com uma pessoa de verdade, que sabe falar sobre sexo de acordo com a idade desse adolescente.
Para refletir
Você educa seus filhos como antigamente, como se não existissem essas novas tecnologias, ou tem adaptado a educação aos novos tempos?
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